terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pág. 3 - Rio Bonito ganha unidade de tratamento de Câncer

Flávio Azevedo

O diretor do Centro de Oncologia de Rio Bonito, o médico Marcelo Pereló.
O programa “O TEMPO EM RIO BONITO” recebeu no último dia 21 de agosto, o diretor do Centro de Oncologia de Rio Bonito (CORB), Marcelo Pereló, que concedeu uma entrevista esclarecedora, explicativa e, sobretudo, informativa. O novo espaço, que é uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade Oncológica (Unacon), vai cuidar de pacientes acometidos de Câncer. A unidade já foi inaugurada, recebeu a visita do governador Sérgio Cabral (PMDB), no último dia 25 de julho, foi apresentada a sociedade civil organizada de Rio Bonito, dois dias depois (27/07) e vai funcionar em prédio anexo ao Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), no antigo ambulatório Romário Muniz.

Segundo Marcelo Pereló, que também é médico oncologista, inicialmente o planejamento era implantar a unidade em São Gonçalo, na localidade de Lagoinha. “Mas nós não obtivemos o apoio necessário da Secretaria Municipal de Saúde daquela cidade”, comentou o médico, que diante dessa dificuldade decidiu mudar de rumo.
– Numa visita que fizemos a Rio Bonito, a secretária de Saúde Maria Juraci Dutra demonstrou interesse no nosso projeto, conhecemos o HRDV, conversamos com o presidente Luis Gustavo Martins, logo fomos recebidos pelo prefeito José Luiz Antunes, pelo vice-prefeito Matheus Neto, e todos demonstraram total interesse em nos receber na cidade – disse Pereló, revelando que em São Gonçalo, num período de um ano, ele nunca foi recebido pelo secretário de Saúde ou pela prefeita Aparecida Panisset. “Só quem nos recebia era o subsecretário. Já em Rio Bonito, nós sentíamos que o nosso projeto era desejado por todos os envolvidos”.

Faltando poucos detalhes para entrar em funcionamento, a expectativa do diretor do CORB é que em cerca de 30 dias a unidade esteja funcionando e atendendo pacientes da região Metropolitana II, que compreende os municípios de Rio Bonito, Tanguá, Silva Jardim, Itaboraí, Maricá, São Gonçalo e Niterói. “A nossa expectativa é que em breve nós tenhamos cerca de 1,5 mil pacientes em tratamento de quimioterapia e estejamos realizando 250 cirurgias por mês. É lógico que teremos alguns desafios, que inclui a relação com os municípios, a qualidade do serviço que nós iremos prestar, a constante comparação com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), mas nós estamos acostumados”, considerou.

Equipe qualificada

Parte da equipe que vai atuar no Centro de Oncologia de Rio Bonito
A qualificação da equipe do CORB é excelente. No quadro de médicos da unidade, por exemplo, profissionais de ponta da área de oncologia, como Cláudio Calazans e Luiz Eduardo Prata, que desempenharam cargos importantes no Inca, estarão atendendo a toda comunidade. “O cidadão mais humilde de Rio Bonito e região será tratado por médicos que ele não teria acesso se estivesse fazendo o seu tratamento no Inca. Aqui, porém, esses especialistas estarão na linha de frente do CORB”, frisou Pereló.

Por ser uma Unacon, o CORB não vai tratar de pacientes com cânceres raros. Já os tumores mais comuns (Mama, Próstata, Intestino, Estômago, Pulmão, Pele, região ginecológica e urológica), que são cerca de 85% dos casos que se manifestam serão tratados no CORB. O especialista explica que para o tratamento dos casos mais raros (cânceres na região da cabeça, do pescoço, a leucemia, as doenças infantis), o governo prioriza o Inca como referência, “para que o tratamento dessas doenças alcance a expertise desejada”.

Humanização do tratamento

Além da terapia desgastante e o impacto da doença, o transporte até o local de tratamento é outro problema que atinge o portador do Câncer. Algumas pessoas precisam acordar muito cedo – 4h ou 5h – para embarcar na condução oferecida pelo município. “Chegando lá, passam por um procedimento de 15 ou 30min, mas se veem obrigadas a ficar por lá até o período da tarde para regressar no ônibus que trás de volta todos os pacientes. E como essa pessoa se alimentou?”, analisa Pereló.

O impacto financeiro na renda familiar é outra realidade apontada pelo médico como um problema comum que atinge a pessoa afetada por um Câncer.
– Quando a pessoa descobre a doença, por conta do tratamento é comum que ela deixe o trabalho. Geralmente, esse doente tem um acompanhante, que dependendo da situação, também se vê forçado a abandonar o emprego. Ou seja, o impacto econômico para aquela família é considerável – analisa Pereló, que acredita ser a proximidade do local de tratamento, um atenuante significativo para que o paciente passe a ter mais dignidade e maiores chances de cura.

Prevenção é importante

Durante a entrevista, o médico também ressaltou que os exames preventivos são importantes, “porque quanto mais cedo se descobre o Câncer, maiores são as chances de cura”. O “preventivo” para a mulher, o exame de “próstata” para homens, segundo o especialista, não devem ser adiados e precisam ser realizados rotineiramente.

Pessoas que tenham na sua história familiar, parentes que tenham tido câncer devem ficar ainda mais atentas. A Colonoscopia, exame que descobre o Câncer de intestino, segundo Pereló, é um procedimento que deveria ser realizado a cada cinco anos, por todas as pessoas com idade acima dos 50 anos.
– Mas quem tem familiar próximo que tenha tido Câncer de intestino deve fazer a colonoscopia a cada três anos, porque os exames são determinantes. Eles podem mudar a expectativa de vida das pessoas em quem o Câncer se manifesta – concluiu.

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