segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pág. 12 - Rio Bonito, finalmente, pode ter Posto Avançado do Tribunal do Trabalho

Flávio Azevedo

Com o diálogo entre TRT e Prefeitura, finalmente o núcleo da Justiça do Trabalho pode começar a funcionar em Rio Bonito.
A prefeita Solange Almeida (PMDB) assinou no último dia 26 de fevereiro, junto da desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry, um protocolo de intenções para que Rio Bonito, finalmente, tenha um Posto Avançado do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região. O posto é um antigo sonho dos advogados locais e da 35ª Subseção da OAB. A unidade também irá atender os municípios de Tanguá e Silva Jardim e corria o risco de ser levado para Araruama.

Desde 2009 o TRT pretende se instalar em Rio Bonito. Tecnicamente o Posto Avançado já havia sido criado, através da então desembargadora Doris Castro Neves, mas o então prefeito José Luiz Antunes não deu a devida importância e não tomou a iniciativa de alugar um espaço para abrigar o órgão. Segundo fontes, o prefeito teria sofrido pressão de empresários locais para que não facilitasse a vinda do Posto Avançado, para não dar facilidade ao empregado que precisar recorrer a Justiça Trabalhista.

Em junho de 2009, o prefeito ofereceu ao TRT, o antigo Posto Agropecuário, na Praça Cruzeiro (um prédio anexo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente). O espaço havia sido reprovado pelo Núcleo de Defesa Sanitária Animal, que por falta de condições físicas e estruturais para exercer as suas atividades foi para Tanguá. À época, o então presidente da 35ª Subseção da OAB, Antonio Carlos Guadelupe, não conseguiu esconder a sua decepção com a postura da administração municipal.

Em entrevista a este jornalista, Guadelupe comentou que estava com vergonha de apresentar o espaço aos representantes do TRT. “Eu pedi uma planta baixa do local, para levar ao Tribunal, mas confesso que estou envergonhado, porque eu acho que Rio Bonito tem condições de oferecer algo melhor que um pardieiro”, disparou.

Pág. 12 - Vereador Aissar Elias aponta falhas no Processo Seletivo promovido pela Prefeitura de Rio Bonito

Flávio Azevedo

O vereador Aissar Elias de Moraes.
Assunto ainda presente em todas as rodas de bate papo, o Processo Seletivo Simplificado (PSS) promovido pela Prefeitura Municipal de Rio Bonito (PMRB) nas primeiras semanas de 2013, também foi tema das explicações pessoais da sessão da Câmara de Vereadores no último dia 5 de março. Quem abordou o tema foi o vereador Aissar Elias de Moraes (PTN), que defendeu a realização de um concurso público para preencher as muitas vagas existentes no quadro funcional da PMRB.
– Eu vou tocar num assunto que é polêmico, mas tem que ser discutido por essa Casa. Eu já conversei com a prefeita sobre as falhas que eu identifiquei. À época, estava sendo realizado o PSS da Educação. Erros lastimáveis ocorreram e eles continuaram acontecendo nos demais processos. Eu defendo a realização de um concurso público, onde a meritocracia prevaleça. Porque um concurso público onde você faz uma prova, passa na avaliação, mas depois tem que passar por uma prova de entrevista... Gente a entrevista é altamente subjetiva! Às vezes, o entrevistador não tem sequer a qualificação ideal para esse tipo de avaliação e acaba cometendo grandes injustiças – disparou o parlamentar.

O vereador comentou que entende o momento que atravessa a atual administração, mas sugeriu que as injustiças sejam corrigidas. “Um pedido de desculpas aos professores deveria ter sido feito... Pela forma com que foram colocados para fazer a escolha do local que iriam trabalhar. Aquela situação (fila da madrugada) foi ruim para todos. A prefeita reconheceu esses erros e prometeu corrigi-los”, frisou o parlamentar, comentando que é classificado como oposição, “mas eu estou aqui pronto a colaborar com a prefeita. Pela postura de palanque que ela teve, eu tenho que acreditar, eu tenho esperança, eu preciso dar a ela essa oportunidade, mas nós não podemos deixar de comentar certas questões”.

Transparência, facilidade de acesso as informações e a reclamada falta de classificação, também foram situações apontadas pelo vereador.
– Você tem 10 vagas para a Educação, por exemplo, chama as 10 pessoas. Porém, o professor adoece, pede licença, ele tem os seus problemas, outro desiste, tem aqueles que pedem demissão; e essa vaga tem ser preenchida por aqueles que estão no Cadastro de Reserva, mas vai chamar quem? Não tem classificação! – disparou Aissar. Para o vereador, quem fez o PSS e vive essa incerteza deve reclamar, pode correr atrás dos seus direitos, deveria ir ao Ministério Público, entrar na Justiça, “porque é uma situação muito estranha”.

Pág. 13 - Dificuldades não desanimam secretária de Educação que demonstra otimismo e projeta futuro promissor

Flávio Azevedo

A Secretária de Educação Lucy Teixeira acredita que organiza a pasta até o fim de 2013.
Setor considerado um dos mais problemáticos da Prefeitura de Rio Bonito e que, junto com a Secretaria de Saúde, atrai maior expectativa da população, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec), gerenciada pela educadora Lucy Teixeira, segue enfrentando dificuldades, “mas conta com uma equipe dedicada, empenhada e que está trabalhando para tornar a nossa Educação uma referência na região”. Com essas palavras a secretária iniciou a sua entrevista ao programa Flávio Azevedo do último dia 21 de março.

Na oportunidade, ela comentou a falta de alguns gêneros alimentícios (feijão) para a merenda dos alunos; a falta de professores, a evasão desses profissionais por conta dos salários irrisórios; e trouxe também uma boa notícia: “em breve Rio Bonito poderá contar com uma escola técnica que vai preparar e capacitar os riobonitenses para as oportunidades que estão surgindo com a implantação do Complexo Petroquímico Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí.

Falta de gêneros alimentícios

Segundo a secretária Lucy Teixeira, no início do governo o estoque de merenda foi avaliado, o cálculo para o consumo de 2013 foi feito de acordo com o número de alunos matriculados na rede municipal em 2012; a necessidade de se colocar um frigorífico no setor de merenda foi percebida (armazenamento), assim como a importância de se adquirir um caminhão frigorífico para que a merenda mantenha a qualidade e chegue às escolas da mesma maneira também está sendo analisado.
– Em relação a falta do feijão, esse problema já foi resolvido. A merenda como um todo é acompanhada e planejada por uma nutricionista. Quando ocorre a falta de algum gênero alimentício, o que não é comum, a nutricionista já define outro alimento que reúna os nutrientes necessários para o aluno – disse a secretária, acrescentando que, em várias oportunidades, a falta acontece porque o fornecedor entrega mercadoria de qualidade ruim. “Quando isso acontece, a orientação é não receber até que esse fornecedor entregue um produto de qualidade”.

Falta de professores

Apesar de algumas estratégias administrativas, os professores continuam faltando. Diariamente o Programa Flávio Azevedo recebe reclamações de mães de alunos sobre o assunto. As unidades de onde chegam mais reclamações são Escola Sete de Maio (Nova Cidade) e Dr. Kingston de Souza Motta (Parque Andréa). Segundo a secretária, “boa parte dessas faltas já estão solucionadas, a SEMEC desenvolveu mecanismos administrativos para superar essa dificuldade, mas essa é uma tarefa árdua, sobretudo por causa da competitividade com municípios vizinhos”, ponderou a secretária.
– Realizamos o Processo Seletivo, mas municípios como Silva Jardim, Casimiro de Abreu e Itaboraí, que realizaram concurso público, estão chamando os profissionais. Com isso, nós estamos recebendo inúmeras cartas de desistência. Teve casos de professor que entrou num dia e saiu no outro. Mas, por quê? Salários defasados, estabilidade, turmas superlotadas, e enquanto aqui eles fizeram um processo seletivo, nesses municípios, a convocação é pelo concurso público – destaca.

Reestruturação de toda rede; condições de ensino e aprendizagem para alunos e profissionais; a implantação de creches (quatro ou cinco unidades ainda em 2013 – Pedro Colares, Parque Indiano, Parque Andréa e Rio do Ouro) e outras ações, são iniciativas que, segundo a secretária, precisam ser implantadas com rapidez. “O Programa de Ações Articuladas (PAA), do governo federal, por exemplo, em Rio Bonito está deficitário. Já deveria estar em funcionamento há dois anos. Resultado: eu só tenho outros dois anos para concluir, planejar e executar. O problema é que a sua não execução pode representar perda de recursos para a Educação”, revelou.

Ensino profissionalizante

O estímulo ao ensino profissionalizante e a qualificação profissional, compromissos de campanha da prefeita Solange Almeida (PMDB), segundo a secretária, está muito bem encaminhado. A informação é que o pró-reitor do Instituto Federal de Campos estaria visitando o CIEP, na Mangueirinha, onde o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) poderá ser implantado. “A nossa expectativa é, em breve, ter boas notícias para o riobonitense. A prefeita Solange também irá visitar Pronatec, em Campos, existe interesse de ambas as partes e tudo está muito bem encaminhado”, concluiu Lucy.
  

Pág. 16 - Anderson Tinoco: “transporte universitário é compromisso do nosso governo”

Flávio Azevedo

O vice-prefeito Anderson Tinoco junto com estudantes no transporte universitário.
O prefeito em exercício, Anderson Tinoco (Rio Bonito) informou no Programa Flávio Azevedo do último dia 21 de março, que sabedor das queixas relacionadas ao transporte universitário, ele viajou no dia anterior (ônibus de Niterói) junto com os estudantes (horário de 17h). “O objetivo foi ouvir os universitários. Realmente a superlotação existe e já estamos trabalhando para resolver essa questão”, afirmou Andinho, acrescentando que em termos de valores, a aquisição de novos ônibus e a terceirização do serviço se equivale. “Sendo assim, nós estamos estudando o custo benefício antes de tomar a decisão final”.
– Ao tomar conhecimento da insatisfação dos universitários, eu decidi acompanhá-los até Niterói e constatei a superlotação. No início do governo, a prefeita Solange Almeida pediu que eu acompanhasse essa questão. No primeiro momento eu identifiquei um ônibus com motor batido, outros estavam com problemas nas lanternas, nos faróis, no limpador de para-brisa, entre outras coisas – destacou.

Ainda sobre transporte público, o prefeito em exercício opinou sobre o acidente que ocorreu na Serra do Sambê com um ônibus da São Geraldo, na noite anterior (20/03). Ele começou parabenizando a atuação dos homens do Corpo de Bombeiros, disse que o ônibus realmente aparentava ser um veículo novo e classificou como heróica a atuação do motorista. “Encarar um paredão daqueles não é para qualquer um. Além de ser um bom motorista ele demonstrou coragem ao conduzir o ônibus até ali. Acho, inclusive, que o ato dele foi heróico”.

Precisamos de ensino superior aqui

Uma das teses defendidas pelo jornal “O TEMPO” é que “caso a Prefeitura continue a comprar ônibus para o transporte universitário, em curto período de tempo, o município terá uma frota maior que as empresas Rio Ita e São Geraldo. Sendo assim, a grande mobilização da sociedade deveria ser para que a Faculdade Cenecista de Rio Bonito (Facerb) fosse ampliada; e para que novas universidades sejam atraídas, “inclusive, as mobilizações deveriam ser nessa direção”. Apresentada essa ideia ao prefeito em exercício, Anderson Tinoco, ele concorda e afirma que “com o crescimento da demanda, as faculdades começam a ver a Rio Bonito com outros olhos”.
– Essas instituições visam lucro e só virão para Rio Bonito se vislumbrarem essa possibilidade. Acredito que precisamos caminhar juntos nessa direção e isso não pode ser pensado de forma partidária. Acredito que se unirmos as nossas forças, população e poder público, os resultados serão muito positivos. Eu já fiz a minha análise, estou esperando o retorno da prefeita e vamos tomar uma decisão sobre o transporte dos universitários e também a respeito da implantação de ensino técnico e superior na cidade – afirmou Andinho.

Outras ideias

A ideia de se implantar uma cota mínima que deveria ser paga pelos universitários; a criação de uma autarquia que gerenciasse o transporte universitário e cuidasse da manutenção dos ônibus, e que fosse coordenada pelos próprios estudantes; também foi conversado com o prefeito em exercício. Ele também foi questionado sobre o aproveitamento dos universitários em Rio Bonito, que custeia o transporte dos estudantes durante quatro, cinco, seis anos, mas depois que eles se formam, desenvolvem as suas atividades no Rio de Janeiro, em Niterói etc.

O prefeito em exercício afirmou que essas questões preocupam a prefeita Solange Almeida, mas descartou a cobrança de qualquer tarifa pelo transporte universitário. “Eu particularmente discordo, porque o brasileiro já paga muito imposto. O que eu penso que poderia ser feito é uma triagem para se perceber quem realmente é carente e precisa do transporte gratuito, porque em alguns casos eu concordo que a pessoa tem condições de custear esse deslocamento”. Ele acrescentou que durante a sua viagem com os universitários, uma aluna sugeriu a criação de uma bolsa para os universitários.
– A universitária que tocou nesse assunto afirmou que sai de Rio Bonito para Macaé e presta, naquele município, um serviço que poderia estar sendo executado na cidade onde mora. Ela comentou que em Macaé os salários são maiores que Rio Bonito, mas nós não temos como competir com Macaé. Uma coisa puxa outra e nós já estamos planejando atrativos e mecanismos para trazer empresas e indústrias para a nossa cidade, o que representa, além de um reforço financeiro importante, a abertura de oportunidades de emprego no município – pondera.       

Pág. 17 - Segurança, só “nas mãos de Deus”

Flávio Azevedo

Um dos problemas que aflige a sociedade moderna é a violência. A insegurança é um fator social reclamado por famílias e pessoas de todas as idades e classes sociais. Homens, mulheres e crianças são vítimas desse flagelo que tem fundamento na conhecida desigualdade social. Todavia, alguns pensamentos apontam o crescimento da violência ao enfraquecimento da religião, substituída sem nenhum constrangimento pelo relativismo e pelo secularismo.

“O jornalista agora ficou louco”, alguém poderá dizer. Entretanto, durante entrevista com o então delegado de Rio Bonito José Pedro Costa da Silva (2009), ao ser questionado sobre as origens da violência, eu me lembro dele ter dito que “ela nasce na falta de Deus”. O policial não está sozinho nesse pensamento. O atual delegado da 119ª DP (Rio Bonito) afirmou em entrevista concedida a este jornalista, em 31 de julho de 2011, que “a sociedade está carente de Deus”.
– As pessoas precisam buscar uma igreja, porque os valores morais estão fragilizados com tamanha libertinagem, que não é o mesmo que liberdade. Em 1985, nós saímos de um regime de repressão, onde não se podia fazer nada. A partir dali, nós passamos para um regime democrático, onde não se pode fazer tudo. O problema é que as pessoas pensam que podem tudo, mas não é assim – ponderou.

Diante dessas declarações, não foram poucos os leitores e ouvintes entendendo que os delegados estavam transferindo a responsabilidade, que é deles, para Deus. Mas não é nada disso! A declaração do policial acompanha o pensamento do sociólogo Émile Durkheim. Apesar de ateu, o pensador diz que a religião funciona como uma espécie de “mola moral”. O sujeito é mau, mas lá no fundo ele tem um lado bom adormecido. Esse lado positivo pode estar alicerçado numa série de experimentações do seu passado, inclusive, com no âmbito religioso.

Talvez o estranhamento das pessoas se dê pelo fato de que poucos conhecem o verdadeiro significado da palavra religião, que está longe de ser apenas o “ir à igreja”. A quem diga que a palavra “religião” deriva do Latim “religare”, ou seja, “religar o homem a Deus”. Outros já usam a definição de Martinho Lutero (Gottesdienst), que pode ser traduzida como “serviço a Deus”. Ambas as teses podem ser aproveitadas em nosso contexto. “Mas como ligar, religar ou servir melhor a Deus?”.

Bem, quem não se lembra da fala de Jesus em S. Mateus 11 – 28 a 30. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Diante desse cenário de insegurança e violência, vale destacar que para fazer alguém sofrer não é preciso atingir fisicamente o indivíduo. Isso pode ser feito com palavras e atitudes, o que, às vezes, pode violar ainda mais a vítima.

Mas Jesus nos convida a irmos até Ele. Daí por diante, basta analisar a poesia contida numa melodia cantada por pessoas de todas as denominações religiosas. A canção “Segura na Mão de Deus” é um lenitivo para qualquer um (religioso ou não) nos momentos de aflição e sofrimento. Medite na sua letra:

Se as águas do mar da vida quiserem te afogar
Segura na mão de Deus e vai
Se as tristezas desta vida quiserem te sufocar
Segura na mão de Deus e vai.

Refrão: Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus,
pois ela, ela te sustentará
Não temas segue adiante e não olhes para trás
Segura na mão de Deus e vai.

Se a jornada é pesada e te cansas da caminhada
Segura na mão de Deus e vai
Orando, jejuando, confiando e confessando
Segura na mão de Deus e vai.

O Espírito do Senhor sempre te revestirá
Segura na mão de Deus e vai
Jesus Cristo prometeu que jamais te deixará
Segura na mão de Deus e vai.

Pág. 18 - Fragmentos da história de Rio Bonito

Dawson Nascimento

Nessa edição estaremos compartilhando curiosidades históricas de Rio Bonito. Alguns documentos  de grande valor cultural para historiografia  em geral. Dados que nos trazem apontamentos importantes sobre a sociedade do período colonial em nossa cidade e que fazem parte do acervo  eclesiástico  das paróquias de Rio Bonito e Boa Esperança. Nesse primeiro momento vamos citar alguns assentos de batismos, casamentos e testamentos, até então, nunca publicado em um jornais locais.

Os regístros começam em 1788 e são referentes as primeiras famílias batizadas em nossa cidade, escravos do continente africano, índios e pessoas livres da antiga freguesia do Rio Bonito do século XVIII a início e meados do XIX. Os textos foram copiados respeitando a grafia da época,conforme se encontram no texto original. A igreja igreja só legitimava  os filhos de pessoas casadas (na igreja) e isso valia para pessoas  livre  e escravos. Os filhos nascidos fora desse contexto eram chamados de filhos naturais.

Batismo do filho de uma  índia, moradora de Catimbau, em 1787.
{Livro 1, páginas 21, A}
1º – Aos dez dias do mês de Dezembro de mil setecentos e oitenta e sete, nesta igreja matriz de NS da Conceição do Rio Bonito, baptzei solenemente a Claudio, nascido a vinte oito de Outubro, filho natural de Ana Maria, índia de nação moradora no Catímbau, foram padrinhos Francisco das Chagas e  sua mulher Maria Francisca. Assistentes no Rio Seco, do que fiz esse assento. O Vigário Marcello Correa de Macedo.

{Livro 1-páginas 104}
Aos oito dias do mês de Dezembro de mil setecentos e oitenta e oito, nesta freguesia do Rio Bonito, baptizei solenemente a Marcella, inocente, filha natural de Maria do gentio de Guiné, escrava de José Rodrigues da Costa. Foram padrinhos, José, escravo de Marcos Rodrigues, e Joana, escrava de Brígida Maria, viúva, do que fiz esse assento o Vigário Marcello Correia de Macedo

Batismo de uma escrava do ano de 1789
{Livro 1-páginas110- V}       
2º – Aos  quatorze dias do mês de Abril de mil setecentos e oitenta e nove, nessa freguezia do Rio Bonito, baptizei solenemente a Antônia, nascida à cinco do dito, filha natural de Isabel, de nação Angola, escrava de Francisco Martins Paez. Foram padrinhos Antônio pardo, escravo de Antônio Martins Paez e Caetana, escrava de Elena Maria da Conceição, viúva, de que fiz esse assento, o vigário Marcello Correia de Macedo.

Batismos em Rio Bonito no Século XIX

Batismos de escravos com alforria concedida na pia batismal
{Livro de Batizados-4,páginas 24}
Aos dezenove de Junho de 1869, baptizei solenemente, no oratório aprovado do Rio do Ouro, a inocente Leopoldina, nascida a três de Abril deste ano, filha natural de Virgínia parda, escrava de Dona Maria Joaquina da Conceição, viúva de José Vieira de Souza. Foram padrinhos, Targine Vieira de Souza e Vitoriana de nação, escrava da mesma senhora. Ao administrar esse baptismo, declarou-me José Vieira de Souza, perante as testemunhas, Manoel dos Santos Moreira, e Francisco Martins Coelho, que sua mãe, a dita Maria Joaquina da Conceição, mandava dar liberdade na pia baptismal, a mesma inocente Leopoldina sem condição alguma, como se  livre nascesem do ventre materno, e pediu-me que assim o declarasse no assento do seu baptismo, o qual ele como procurador bastante de sua mãe assinava com as referidas testemunhas, que são também dessa vontade e mandado. Do que para constar lavrei o presente termo que assinei com o dito procurador e as  testemunhas já mecionadas.

O vigário Virtulino Bezerra Cavalcante, José Vieira de Souza, Manoel dos Santos Moreira, Francisco Martins Coelho.

Livro nº 1 de regístro de óbitos da igreja de NS da Conceição de Boa Esperança.
Assento de óbito de José Martins da Fonseca Portella, pai do patrono da praça da cidade, que foi morto por Manoel Samburá, preto forro da mãe do falecido, ocorrido no dia 14 de Outubro de 1884.
Aos 15 dias de Outubro de 1884, depois de solenemente encomendado pelo então Vigário Egydio Antônio Vieira, foi sepultado em carneira da irmandade, José Martins da Fonseca Portella, viúvo de Dona Cândida Maria da Fonseca Portella, do que fiz esse assento. O Vigário Luís Marques de Brito.

Cartas de Alforria condicional concedida a uma escrava no ano de 1864

Livros de compra e venda de terras e escravos. Livro de inscrições especiais Cartório do primeiro e  segundo ofício de Rio Bonito.

Digo eu, Silvéria Maria do Bom Sucesso, que entre os bens que possuo, sou senhora e possuidora de uma escrava de nação Cassange de nome Joana, de quarenta e oito anos, pouco mais ou menos, a qual pelos bons serviços que me tem prestado, de hoje em diante, fica  só sujeita a servir-me e acompanhar-me tão somente durante a minha vida, e do dia do meu falecimento em diante poderá gozar então a sua inteira liberdade, como se nascesse de ventre livre, sem dependência de mais alguma outra  obrigação, e por ser esta carta feita por minha livre e sem constrangimento de pessoa alguma, os meus herdeiros a respeitarão, como tal, e o que peço a Justiça de sua Magestade Imperial lhe deem todo inteiro rigor, por não saber ler nem escraver, pedi a Manoel José de Souza que esta  por mim fizesse e assinasse em presença das testemunhas  abaixo assinadas.

Capivary, vinte e nove de Janeiro de mil oitocentos e sessenta e três, artogo da Senhora Dona Silvina Maria do Bonsucesso, Manoel José de Souza, como testemunha que este ví fazer em presença da senhora dona Silvéria Maria do Bomsucesso, José Pereira da Costa Júnior, José Francisco Coelho. Número dez-duzentos. Pagou duzentos réis de selo. Rio Bonito primeiro de Outubro de 1864. Pires.Klensorgen.

E o que contém  a referida carta de liberdade, a qual o que fielmente registrei e dou fé estar conforme o próprio signal. Rio Bonito primeiro de Outubro de mil oitocentos e sessenta e quatro. Eu Francisco Pinto Ribeiro Espídola tabelião interino escreví. Deste mil réis.

Pág. 22 - Agência Papa Goiaba oferece oficinas de Fotografia e Jornalismo em Rio Bonito


Flávio Azevedo

Uma oportunidade para aqueles que se identificam com o setor de Comunicação Social ou buscam uma profissão está sendo oferecida, em Rio Bonito, pela Agência Papa Goiaba, que está promovendo oficinas de Jornalismo e Fotografia a partir do próximo dia 14 de abril. A representante da Agência na cidade é a jornalista Paula Brito, que depois de três anos atuando no jornal O Itaboraí (ela também trabalhou no jornal Folha da Terra), ingressou na equipe Papa Goiaba para trazer essas e outras oficinas para cidade.
– Na verdade eu estou cansada das pessoas me perguntarem por que eu continuo morando em Rio Bonito, se os meus trabalhos sempre estão distante do lugar onde nasci, cresci e ainda moro. Sempre me incomodou essa realidade de estudar e sair da cidade por falta de oportunidades. Sendo assim, eu achei que está na hora de trazer esse mercado para Rio Bonito e colocar a minha cidade no mapa da Comunicação Social – discorreu a jornalista em entrevista ao Programa Flávio Azevedo.

Os projetos, segundo ela, são voltados para jovens de periferia, “mas o meu principal objetivo é transmitir conhecimento na minha cidade. De acordo com a jornalista, para fazer um bom curso de fotografia é preciso se deslocar para outros centros. Ela ressalta que além de serem cursos caros ainda tem a passagem, o que aumenta ainda mais esse custo.
– As nossas oficinas estão chegando com valores bem acessíveis (R$ 45,00) e trata-se de uma novidade, porque nunca tivemos cursos como esses em Rio Bonito – pondera a jornalista, acrescentando que “as noções adquiridas nas oficinas serão importantes, sobretudo para quem desenvolve atividades no setor de Comunicação Social”.

Segundo a jornalista, quando se trata de escrever um texto, desenvolver uma logomarca, uma cobertura jornalística, fazer uma fotografia ou outras atividades inerentes ao setor de Comunicação Social, as pessoas, principalmente em cidade interioranas, ainda não recebem a devida valorização do contratante. “Essa é uma realidade que precisa mudar, porque somos profissionais e estamos em outros tempos”. 

Para se inscrever nos cursos, os interessados poderão acessar o Blog agênciapapagoiaba. wordpress.com ou consultar o Facebook da Agência. Nesses links constam as dicas necessárias para as inscrições, as datas, horários e demais informações.      

Pág. 23 - Eu e Você


*Francisco Azevedo

O teu sorriso, franco, cristalino,
Seu belo rosto, atraente, sedutor,
Seus lindos olhos de olhar peregrino
Vagam distantes dos cordéis do amor.

Doce mistério te envolve a alma
Fada arredia... Qual o teu segredo?
Sempre serena, sossegada e calma,
Passas distante, com prudência e medo.

Se me aproximo, te vais indiferente
Mas quando passo, me olhas encantada
Eu não entendo o que tens na mente
Como desejo seguir tua jornada!

Se tu soubesses que te quero tanto
Não fugirias tanto, tanto assim
Mas ouviria do coração o pranto
De quem te ama com amor sem fim.

Francisco Azevedo é poeta, escritor, compositor, músico e letrista.

Pág. 23 - Pec das domésticas


*Moysés Dário Alves

O Congresso Nacional promulgou em 02 de abril de 2013, a PEC das Domésticas, que iguala os direitos dos trabalhadores domésticos aos dos demais trabalhadores urbanos e rurais. A emenda constitucional foi publicada no Diário Oficial da União do dia 03 de abril, o que já obriga a aplicação imediata de nove dos 16 direitos adquiridos por faxineiros, babás, motoristas, jardineiros, cuidadores de idosos, entre outros profissionais do lar. Uma das principais mudanças que passam a valer a partir de quarta (03) é a jornada de trabalho de oito horas diárias e 44 horas semanais, o pagamento de horas extras, a garantia de salário nunca inferior ao mínimo (atualmente em R$ 802,53 no para o Estado do RJ), e o reconhecimento de convenções ou acordos coletivos.

Dos novos 16 direitos garantidos às domésticas, sete itens ainda precisam ser regulamentados: seguro-desemprego, indenização em demissões sem justa causa, conta no FGTS, salário-família, adicional noturno, auxílio-creche e seguro contra acidente de trabalho. Para o trabalho de diarista ainda não houve mudanças, o que deve acontecer em breve após a PEC.

Entre os itens que podem mudar com a regulamentação, está, por exemplo, a redução de alíquotas do FGTS (hoje de 8% sobre o salário bruto para o trabalhador) e do INSS (12%). O ministro do Trabalho afirmou que um eventual alívio na conta dos patrões será discutido e decidido pela equipe econômica do governo.

A PEC das Domésticas é um avanço e medidas semelhantes estão sendo adotadas no mundo todo, mas, por outro lado, é preciso levar em conta que a família que contrata um empregado doméstico não é uma empresa, e portanto, não tem como repassar aumentos de custos. Há uma grande expectativa que o governo desonere os encargos trabalhistas para aliviar o orçamento das famílias com as novas regras e evite também uma demissão em massa.

Com essas mudanças ficou muito arriscado para os empregadores manterem seus empregados domésticos na informalidade, porque o passivo trabalhista pode ser muito alto, colocando em risco até mesmo seu patrimônio. Será necessário buscar orientação de profissionais e escritórios especializados em folha de pagamento, principalmente por causa de obrigações como o FGTS e a Jornada de Trabalho, que são procedimentos bastante complexos para que as empregadoras possam executá-los por conta própria.

Pioneira nesse segmento com 40 anos no mercado, a Mariza Contabilidade desenvolveu o DEPARTAMENTO PESSOAL PARA EMPREGADORES DOMÉSTICOS. Com ele, os empregadores domésticos estão amparados na contratação e dispensa das suas empregadas domésticas, com baixo custo mensal. Desde a admissão até a dispensa, prestamos um serviço altamente especializado, com orientação profissional e acompanhamento jurídico.

A nossa missão é evitar futuros transtornos para os empregadores domésticos, por desconhecimento da legislação e seus efeitos, além de diminuir o seu envolvimento e desgaste com as rotinas trabalhistas. Atendemos a todas as cidades do Rio de Janeiro.

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*Moysés Dário Alves é contador e consultor de negócios.

Pág. 24 - Vereador Marquinho da Luanda Car cobra atenção para a Biblioteca e setor cultural

Flávio Azevedo

O vereador Marquinhos da Luanda Car.
Assunto muito reclamado pela população riobonitense, a precariedade das instalações da Biblioteca Municipal Celso Peçanha foi tema do discurso do vereador Marcos Fonseca, Marquinhos da Luanda Car (PMDB) na sessão do último dia 14 de março. O vereador comentou que visitou o local e usou o termo “presídio” para classificar o que viu durante a sua passagem pela Biblioteca. O parlamentar comentou que passou por lá por volta das 11h e ficou muito impressionado com o que viu.
– O calor era intenso, os funcionários estavam no corredor por conta da alta temperatura... O acervo guardado em prateleiras que não estão em perfeito estado de conservação... O que preocupa é que esses livros serão prejudicados por conta do calor, já que existe uma espécie de fungos que gosta de livros e calor – analisou o vereador, destacando que a Biblioteca está informatizada, “tem condições de atender bem a população de Rio Bonito e isso requer a nossa atenção”, frisou.

O vereador também destacou a dificuldade de acesso a Biblioteca. “As pessoas de idade que gostam de ler, por conta de vários fatores, não podem subir todos aqueles lances de escada”. Para Marquinhos, “um pouco do meu passado está sendo rasgado ali, porque na minha infância, um tempo que não tinha internet, eu passei tardes e tardes naquela biblioteca pesquisando, estudando e ver o local naquelas condições me entristeceu”.

Para o parlamentar, o poder público não pode ficar de braços cruzados diante de questões como essa e lembrou que investir no setor Cultural foi promessa de campanha da prefeita Solange Almeida (PMDB).
– Um governo que esquece o seu passado não tem compromisso com o futuro. O governo passado deixou o setor cultural e a preservação da nossa história um pouco de lado e essa falha precisa ser corrigida. Temos a promessa da criação de um corredor cultural no prédio que abrigava o fórum, mas a Biblioteca não pode mais esperar – disse o vereador, que também lamentou o abandono da Casa da Cultura, “um espaço que tem um acervo valiosíssimo, mas está esquecido”.